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Água com gás hidrata tanto quanto água sem gás?

Donaldas Jautzemis · Atualizado ·9 min

Algumas pessoas juram pela água com gás; outras temem que as bolhas de alguma forma a tornem uma água “menos de verdade”, ou que o gás faça discretamente algo de ruim ao corpo. Então, a gaseificação muda o quanto a água hidrata você?

Na prática, a água com gás pura hidrata você tão bem quanto a água sem gás. É água, com bolhas.

As bolhas não anulam a hidratação

A gaseificação é simplesmente dióxido de carbono dissolvido na água sob pressão — é daí que vêm as bolhas. Ela não retira água da bebida nem faz o seu corpo absorvê-la de forma menos eficaz.

Se um copo de água sem gás conta para os seus líquidos, o mesmo copo com bolhas também conta. O teor de água é o mesmo. É a mesma lógica por trás do motivo pelo qual o café conta como água — o que importa é o líquido de fato entrando, não a forma em que ele chega.

O que a pesquisa de fato mediu

Você não precisa aceitar isso na fé. Pesquisadores compararam diretamente o quão bem diferentes bebidas mantêm você hidratado usando algo chamado índice de hidratação de bebidas (BHI) — uma forma de medir quanto líquido o seu corpo retém algumas horas depois de beber, usando a água sem gás como ponto de referência. No estudo original, 72 homens beberam, cada um, um litro de uma bebida-teste em 30 minutos, e a urina deles foi coletada nas quatro horas seguintes para ver quanto eles seguraram (American Journal of Clinical Nutrition).

A água com gás saiu estatisticamente igual à água sem gás — o corpo a reteve do mesmo jeito (American Journal of Clinical Nutrition). O mesmo valeu para a maioria das bebidas do dia a dia, incluindo chá, café, refrigerante de cola e suco de laranja. As únicas bebidas que ficaram à frente da água pura naquele estudo foram a solução de reidratação oral e o leite (integral e desnatado, ambos com cerca de 1,5 no índice), porque as pequenas quantidades de sódio, potássio e outros nutrientes que eles contêm reduzem a velocidade com que o líquido passa por você (American Journal of Clinical Nutrition).

A conclusão é tranquilizadora, mais do que surpreendente: para o objetivo de simplesmente se manter hidratado ao longo do dia, água com gás e água sem gás são intercambiáveis. A gaseificação é uma textura, não uma penalidade de hidratação.

Quanta água você de fato precisa

Como a água com gás conta igual à água sem gás, ela conta para a mesma meta diária. A orientação europeia coloca a ingestão adequada de água total em cerca de 2,5 litros por dia para homens e 2,0 litros por dia para mulheres (EFSA). Esse valor inclui todas as fontes — água pura, água com gás, chá, café e a umidade dos alimentos —, não só o que você serve no copo, e pressupõe clima moderado e níveis normais de atividade.

Dois pontos práticos se seguem. Primeiro, esses números são pontos de referência iniciais para adultos médios, não regras rígidas; calor, exercício, doença, gravidez e amamentação, todos elevam as necessidades reais, e os requisitos individuais variam. Segundo, não há regra de que os litros tenham que ser sem gás. Se meio litro da sua ingestão diária chega como água com gás porque é o que você gosta, ele cai exatamente no mesmo lugar da conta que a água sem gás cairia. Para um detalhamento mais completo de metas pessoais, veja quanta água você deve beber por dia.

As preocupações que as pessoas levantam (e o que se sustenta)

Alguns mitos perseguem a água com gás. Veja como eles de fato se resolvem:

  • “A gaseificação rouba cálcio e enfraquece os ossos.” Não há boas evidências de que a água gaseificada pura prejudique a saúde óssea em consumos normais. Essa preocupação vem de pesquisas sobre a cola especificamente. No Estudo de Osteoporose de Framingham, o consumo de cola foi associado a menor densidade mineral óssea em mulheres mais velhas — mas outras bebidas gaseificadas não mostraram tal associação, o que aponta o dedo para algo na cola, e não para as bolhas (Estudo de Osteoporose de Framingham). A Harvard Health faz a mesma distinção sem rodeios: bebidas gaseificadas que não são cola não foram associadas a baixa densidade óssea, e os suspeitos na cola são a cafeína e o ácido fosfórico, não a gaseificação (Harvard Health). A água com gás pura não tem nenhum dos dois.
  • “Faz mal para os dentes.” A água gaseificada é levemente ácida — o dióxido de carbono dissolvido forma um pouco de ácido carbônico —, então é um pouco mais ácida do que a água sem gás. Mas está numa categoria muito diferente das bebidas açucaradas e fortemente ácidas. A American Dental Association liga a erosão dentária ao consumo frequente de refrigerantes, bebidas esportivas e sucos de fruta com valores de pH baixos, na faixa de 2,0 a 3,5 (American Dental Association). A água com gás pura é muito mais suave do que esses. A ressalva maior são as águas com gás saborizadas: pesquisas citadas pela ADA encontraram erosão mensurável do esmalte com águas com gás saborizadas (ainda que menor do que a do refrigerante), enquanto a água pura, sem sabor, não erodiu o esmalte nos mesmos testes (American Dental Association).
  • “Causa inchaço e gases.” Esta tem um fundo de verdade: o dióxido de carbono pode deixar algumas pessoas com gases ou inchadas, principalmente se elas bebem rápido ou são propensas a desconforto digestivo. É uma questão de conforto, não de hidratação — e muita gente não se incomoda nem um pouco.

A distinção que de fato importa

A linha de verdade não é com gás versus sem gás. É água pura versus bebidas açucaradas.

A água com gás pura — nada além de água gaseificada — pertence firmemente à coluna das bebidas hidratantes e saudáveis, ao lado da água sem gás. As bebidas que merecem atenção são as que parecem semelhantes, mas não são:

  • Refrigerantes e colas carregam muito açúcar adicionado (e, muitas vezes, cafeína).
  • Água tônica também é adoçada — tem mais ou menos tanto açúcar quanto muitos refrigerantes, apesar do sabor amargo.
  • Águas com gás saborizadas variam bastante: muitas são sem açúcar e estão de boa, mas confira o rótulo quanto a açúcar adicionado e acidez, especialmente nos sabores cítricos.

É exatamente essa a troca que a orientação de saúde pública incentiva. O NHS aconselha recorrer à água, ao leite com menos gordura ou a opções sem açúcar no lugar de refrigerantes gaseificados açucarados, e aponta o açúcar como uma das principais causas da cárie (NHS). A água com gás pura se encaixa direitinho nessa categoria do “no lugar de” — ela mata a vontade de bebida com gás sem o açúcar. Se você está escolhendo água com gás pura, está recebendo essencialmente a mesma hidratação da água sem gás, sem as preocupações com açúcar.

Quem pode querer maneirar no gás

Para a maioria das pessoas, a água com gás é uma vitória clara sempre que substitui algo mais doce. Algumas situações pedem um toque mais leve, e nenhuma delas tem a ver com hidratação:

  • Dentes sensíveis ou erodidos. Se o seu esmalte já está desgastado ou o seu dentista sinalizou erosão, prefira a água com gás pura à saborizada com cítricos, beba aos goles em vez de bochechar pela boca e enxágue com água sem gás depois. A pesquisa citada pela ADA é clara em que a acidez — mais forte nas versões saborizadas — é o que importa para o esmalte (American Dental Association).
  • Refluxo, SII ou estômago sensível. O dióxido de carbono que faz as bolhas pode agravar inchaço, arrotos ou sintomas de refluxo em quem já é propenso a eles. Se a água com gás te deixa desconfortável, goles mais lentos ou uma troca para a sem gás nesses dias geralmente resolvem.
  • Bebês e crianças pequenas. A orientação padrão é que água e leite são as melhores bebidas do dia a dia para crianças; opções com gás não são necessárias, e as saborizadas podem esconder açúcar e acidez.

Para todo mundo mais, o gás é simplesmente uma preferência. Se ele faz você pegar água em vez de um refrigerante — ou só ajuda você a beber mais ao longo do dia —, isso vale muito mais do que qualquer desvantagem teórica.

A conclusão prática

  • A água com gás pura conta para os seus líquidos diários, ponto final, e a pesquisa confirma isso.
  • Se os seus dentes são sensíveis, prefira água com gás pura (não cítrica), e você pode enxaguar com água sem gás depois.
  • Se as bolhas te incham, beba mais devagar ou alterne água com gás e sem gás ao longo do dia.
  • Fique de olho no rótulo para não confundir uma bebida adoçada com água com gás pura.

A hidratação tem a ver com o seu total de líquidos de todas as fontes. A água com gás é uma das boas.

Registre o que você realmente bebe

O jeito mais fácil de ficar por cima disso é registrar tudo em um lugar só, em vez de ficar no chute. O HydroBloom permite acompanhar água, água com gás e bebidas personalizadas, definir uma meta diária personalizada com base no seu peso e ver uma planta crescer conforme você a alcança. Um toque por bebida, lembretes gentis, sem fazer conta.


Perguntas frequentes

Água com gás faz mal para os dentes? A água com gás pura é apenas levemente ácida — muito mais suave com o esmalte do que refrigerante ou suco — então é uma preocupação baixa para a maioria das pessoas. As versões saborizadas e cítricas são mais ácidas, então prefira a pura se os seus dentes são sensíveis.

A água com gás conta para a ingestão diária de água? Sim. A água com gás pura é só água com dióxido de carbono adicionado, então ela hidrata e conta igual à água sem gás. Para saber quanto buscar no total, veja quanta água você deve beber por dia.

A água com gás prejudica os ossos? Não há boas evidências de que a água gaseificada pura prejudique a saúde óssea em consumos normais. A velha preocupação remonta à cola, não às bolhas em si.

O HydroBloom é uma ferramenta geral de bem-estar e não fornece orientação médica. Se você tem uma condição de saúde relevante ou desconforto digestivo persistente, siga a orientação do seu médico.

Fontes

  1. A EFSA define valores de referência dietéticos europeus para a ingestão de nutrientes — EFSA
  2. Ensaio randomizado sobre o potencial de diferentes bebidas de afetar o estado de hidratação: desenvolvimento de um índice de hidratação de bebidas — American Journal of Clinical Nutrition (PubMed)
  3. Erosão dentária — Tópicos de saúde bucal — American Dental Association
  4. A tendência das 'sodas alternativas' do TikTok pode ser dura com os dentes — American Dental Association
  5. A propósito, doutor: a água gaseificada prejudica os ossos? — Harvard Health Publishing
  6. Refrigerantes de cola, mas não outras bebidas gaseificadas, estão associados a baixa densidade mineral óssea em mulheres mais velhas: o Estudo de Osteoporose de Framingham — Estudo de Osteoporose de Framingham (PubMed)
  7. Açúcar: os fatos — NHS